FIBRILAÇÃO AURICULAR NÃO VALVULAR (FA)

ABRIL 1996

A fibrilação auricular aumenta o risco de AVC cerca de 5 vezes sendo 75% destes acidentes embólicos e na sua grande maioria incapacitantes. O papel da estenose carotidea associada é menor na FA. De facto a sua prevalência, de 12%, é similar nos doentes em FA com ou sem AVC. O prognóstico a longo prazo do doente com FA que já sofreu um AVC é mau, pois um terço vem a sofrer um evento grave: AVC, embolismo sistémico ou morte. Os doentes em FA não têm um risco de AVC uniforme. As variáveis clínicas associadas a um risco acrescido são a idade >65 anos, a HTA, a diabetes e AIT ou AVC prévio. O facto da FA ser intermitente não lhe reduz o risco embólico. Do ponto de vista ecocardiográfico a dilatação da auricula esquerda e a disfunção ventricular esquerda aumentam o risco de AVC.

Os recentes estudos de prevenção primária demonstraram o efeito protector dos anticoagulantes orais (redução de 70% dos AVCs) e da aspirina (redução de 25%) na FA. O risco hemorrágico grave relacionado com os anticoagulantes é de cerca de 1% ao ano, sendo porém mais elevado acima dos 75 anos, idade a partir da qual será prudente manter a anticoagulação em intervalos de INR mais baixos. Quanto à prevenção secundária os resultados do European Atrial Fibrillation Trial (EAFT), mostraram que a utilização de anticoagulantes orais, reduz para metade o risco de novo AVC, sendo o efeito da aspirina muito menor. O risco da anticoagulação oral nesta indicação é baixo (3% hemorragia/ ano; 0,2% hemorragia intracraniana/ ano). Recorde-se no entanto que neste estudo o limite etário para os anticoagulantes orais foi os 80 anos.


FIBRILAÇÃO AURICULAR NÃO VALVULAR (FA)

Prevenção Primária e Secundária do AVC isquémico

ABRIL 1996

Prevenção Primária

  • Doentes com idade <75 anos e qualquer dos seguintes factores de risco: hipertensão, embolismo prévio, insuficiência cardíaca, dilatação da aurícula esquerda, disfunção ventricular esquerda recomenda-se anticoagulação oral (INR 2-4.5).
  • Nos restantes e nos doentes com contra-indicação para a anticoagulação oral recomenda-se aspirina (250-300mg/dia)

Prevenção Secundária

Doentes com Fibrilação Auricular e que sofreram Acidente Isquémico Transitório ou Enfarte Cerebral não Incapacitante recomenda-se anticoagulação oral (INR 2-4.5).

Nos doentes com contra-indicação para a anticoagulação recomenda-se aspirina (250-300mg/ dia).

Contra indicações para a anticoagulação

  • >80 anos
  • alcoolismo crónico
  • insuficiência hepática
  • HTA crónica, não controlada: tensão arterial diastólica >100, tensão arterial sistólica >180mmHg em pelo menos dois dias sucessivos
  • retinopatia hemorrágica
  • hemorragia intracraniana prévia
  • diátese hemorrágica
  • úlcera péptica, nos últimos 3 anos
  • hemorragia gastrointestinal ou hematúria nos últimos 6 meses
  • gravidez
  • doença neurológica ou osteo-articular que provoque quedas frequentes
  • demência
  • impossibilidade de tomar a medicação consoante as prescrições ou de realizar as análises de controlo com a regularidade necessária.
  • doentes com sintomas que significativamente restrinjem o estilo de vida ou impedem uma existência totalmente independente (Rankin >3).


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GEDCV - Grupo de Estudo das Doenças Cerebrovasculares
Modificada em 2 de Novembro, 1998

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